Hoje, Porto Velho acordou com uma triste marca: é a cidade com a pior qualidade do ar do Brasil, de acordo com dados da plataforma internacional IQAir. A fumaça que encobre a capital de Rondônia tem origem nos incêndios florestais que assolam a Amazônia. Por volta das 7h, a cidade atingiu 125 pontos na classificação de qualidade do ar, o que é considerado “não saudável para grupos sensíveis”. O bairro Olaria se destacou entre os locais com maiores níveis de poluição, superando até Manaus, que também está enfrentando a fumaça.
A situação é alarmante: o estado do Amazonas registrou um aumento significativo no número de incêndios, com 1.380 focos apenas nos dez primeiros dias de outubro, um crescimento de 271% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Painel do Fogo, do Censipam. O meteorologista Lucas Coelho, do Inmet, explica que os ventos vindos do Amazonas levam a fumaça até Rondônia. “Quando há queimadas no caminho do vento, isso resulta na chegada de poluentes ao nosso estado”, esclarece.
Além disso, a falta de chuvas e a seca estão contribuindo para esse cenário crítico. Coelho aponta que a ausência de precipitações e a alta radiação solar elevam as temperaturas, tornando a vegetação mais seca e, consequentemente, mais propensa a pegar fogo. “Com um longo período sem chuvas, a vegetação se transforma em um combustível eficiente para o incêndio,” afirma o meteorologista.
Adicionalmente, a situação do Rio Madeira, que está com 2,45 metros, um metro abaixo do esperado para esta época do ano, evidencia a estiagem que atinge a região. A Defesa Civil Municipal já confirmou que mais de 22 mil pessoas estão sendo afetadas pela crise hídrica.
Os riscos à saúde da população são alarmantes. A IQAir identificou que o principal poluente em Porto Velho é o material particulado fino PM2.5. Essas partículas, por serem minúsculas, conseguem penetrar na corrente sanguínea e representam um grande risco à saúde. A concentração de PM2.5 na cidade chegou a 45,3 microgramas por metro cúbico, um número muito acima da diretriz anual da Organização Mundial da Saúde, que estabelece um limite de 25 µg/m³ para uma qualidade de ar considerada boa.
Com essa situação crítica, é imprescindível que a população esteja atenta e tome precauções para proteger a saúde diante da fumaça que envolve Porto Velho.
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