domingo, 01/11/2026

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Mel de abelhas sem ferrão com sabor amazônico chega a custar R$ 400 o litro em Porto Velho

Quando pensamos em abelhas, a primeira imagem que vem à mente de muitos é a de picadas e riscos. No entanto, em Porto Velho, uma prática crescente entre os moradores é a criação de…

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Quando pensamos em abelhas, a primeira imagem que vem à mente de muitos é a de picadas e riscos. No entanto, em Porto Velho, uma prática crescente entre os moradores é a criação de abelhas nativas sem ferrão, que traz benefícios tanto para o meio ambiente quanto para a economia local. Conhecida como meliponicultura, essa atividade tem despertado interesse pela qualidade do mel produzido, que pode alcançar preços entre R$ 350 e R$ 400 por litro.

Regina Ferreira Mariz, uma das meliponicultoras da Zona Norte de Porto Velho, compartilhou sua experiência de cerca de seis anos criando abelhas nativas em seu quintal. Ela abriga diversas espécies, muitas resgatadas de áreas afetadas por desmatamento e queimadas. Entre as espécies que ela cuida estão a Jataí-amarela e a Mandaguari-preta, que são essenciais para a polinização e manutenção da biodiversidade local.

O resgate dessas abelhas é uma prática que deve seguir as regras estabelecidas pela legislação, especialmente quando as colônias estão em risco devido à ação humana. “Se uma árvore é derrubada e as abelhas estão ali, é possível fazer o resgate”, explica Regina, ressaltando a importância de agir de acordo com as diretrizes legais.

Recentemente, a Lei Complementar nº 990/2024 regulamentou a criação e o manejo das abelhas nativas na cidade, abrindo um caminho para fins educacionais e econômicos, além da preservação ambiental. Essa regulamentação é um passo importante para o reconhecimento do valor dessas abelhas para o ecossistema.

O mel das abelhas sem ferrão, conforme destaca Roseval Guzzo, gerente da Secretaria Municipal de Agricultura, possui características únicas que o tornam mais valorizado no mercado. Embora a produção seja menor em comparação com as abelhas comuns, o sabor e a qualidade do mel são inegáveis, refletindo o ambiente amazônico de onde provém.

Entretanto, essa valorização também traz um alerta. Tanto Regina quanto Guzzo enfatizam que a criação dessas abelhas deve priorizar a polinização e a preservação do meio ambiente em vez de se transformar apenas em uma fonte de lucro. “É fundamental que essa prática não seja vista apenas como uma oportunidade de ganho. Devemos garantir que a meliponicultura caminhe junto com a conservação e o respeito à natureza”, defende Regina.

Na visão de Guzzo, a importância das abelhas vai muito além da produção de mel. “Sem elas, a humanidade enfrentaria um colapso em poucos anos. Muitas das frutas e legumes que consumimos dependem da polinização que elas realizam”, alertou. Portanto, a prática da meliponicultura em Porto Velho é um exemplo de como a união entre economia e meio ambiente pode ser feita de forma consciente e responsável.

Crédito da imagem: Produção de mel em Rondônia cresce e fortalece meio ambiente