terça-feira, 20/10/2026

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Desafios das famílias em Rondônia após a perda de mães vítimas de feminicídio

Em Rondônia, a triste realidade do feminicídio atinge não apenas as vítimas diretas, mas também suas famílias, especialmente as crianças que ficam órfãs. Recentemente, histórias como as de Jaiane Lemos, Liliane Alves Lima e…

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Em Rondônia, a triste realidade do feminicídio atinge não apenas as vítimas diretas, mas também suas famílias, especialmente as crianças que ficam órfãs. Recentemente, histórias como as de Jaiane Lemos, Liliane Alves Lima e Vitória Metzge, que foram brutalmente assassinadas na frente de seus filhos, chamaram a atenção para a necessidade urgente de apoio a essas crianças. Os relatos emocionantes de mães como Rosa Maria, que luta por justiça após perder sua filha enquanto ela tentava proteger a neta, evidenciam a dor e a luta que essas famílias enfrentam.

Com dados alarmantes, o Observatório de Segurança Pública mostra que Rondônia registrou um aumento significativo nos casos de feminicídio, tornando-se o segundo estado com a maior taxa de ocorrências no Brasil em 2025. Essa escalada da violência deixa um rastro de desolação, com mais de 2 mil crianças e adolescentes mergulhados em um luto profundo e sem apoio adequado.

Visando mitigar o impacto financeiro nas famílias afetadas, o Governo Federal sancionou a Lei 14.717, que prevê uma pensão especial para os órfãos de feminicídio. Contudo, a realidade é que apenas 14 pedidos de pensão foram registrados em 2026, com a maioria sendo negada ou ainda em análise. A burocracia do INSS é apontada como um dos principais obstáculos que as famílias enfrentam, dificultando o acesso a esse direito fundamental.

A coordenadora estadual da rede de proteção a crianças e adolescentes, Taís Yamazaki, destaca que a falta de um protocolo de comunicação entre as delegacias e o INSS deixa os responsáveis legais, como Dona Rosa, sobrecarregados. A promotora de Justiça, Tânia Garcia, enfatiza que o sistema muitas vezes foca mais na punição dos agressores do que no cuidado das vítimas indiretas, revelando uma falha crítica na abordagem de casos de feminicídio.

Além das questões burocráticas, o Conselho Tutelar enfrenta desafios para garantir a proteção das crianças órfãs, devido à falta de comunicação automática com a polícia e à demora no encaminhamento de assistência psicológica. O Tribunal de Justiça de Rondônia tenta suprir essas lacunas, mas a efetividade de suas ações depende da busca ativa pelas vítimas, algo que raramente acontece.

Reconhecendo a urgência da situação, o Ministério Público de Rondônia começou um trabalho de identificação de crianças e adolescentes órfãos devido ao feminicídio, buscando garantir que recebam a proteção legal necessária. A promotora Tânia Garcia ressalta a importância de garantir que a presença das crianças nos julgamentos seja considerada para a aplicação das penas mais rigorosas aos agressores.

Compreendendo a necessidade de um suporte contínuo, o MPRO e a rede de proteção estão implementando medidas de notificação compulsória, que permitirão um acompanhamento mais eficaz das crianças afetadas. A luta não é apenas por justiça imediata, mas também por um futuro mais promissor para essas crianças, que merecem oportunidades de trabalho e educação.

Em meio a essa situação alarmante, a população de Rondônia pode buscar apoio por meio de diversas instituições que oferecem assistência psicológica, social e jurídica. O Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a Defensoria Pública estão disponíveis para ajudar as vítimas e suas famílias a enfrentar os desafios impostos por essa tragédia. É fundamental que a sociedade se una para apoiar essas crianças e garantir que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.