terça-feira, 20/10/2026

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Moradora de RO vende móveis após perder mais de R$ 60 mil em apostas online: ‘É uma dependência

O fenômeno do superendividamento associado ao vício em jogos de azar está se tornando uma realidade preocupante em Rondônia. Em Porto Velho, uma mulher, que preferiu permanecer anônima, viu sua vida desmoronar após perder…

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O fenômeno do superendividamento associado ao vício em jogos de azar está se tornando uma realidade preocupante em Rondônia. Em Porto Velho, uma mulher, que preferiu permanecer anônima, viu sua vida desmoronar após perder mais de R$ 60 mil em apostas online. Para alimentar esse vício, ela vendeu todos os móveis da casa e até os eletrodomésticos, apostando até o salário inteiro de uma vez, mas a sorte nunca estava ao seu lado.

Em um relato tocante à Rede Amazônica, ela explicou que o vício começou de forma inocente. Os primeiros ganhos foram um incentivo para continuar jogando e, com o tempo, ela se viu presa em uma espiral de perdas. “Fui aprendendo aos poucos, mas só perdi, não ganhei nada”, contou.

A mudança começou quando sua filha interveio, bloqueando os aplicativos de apostas do celular da mãe e a levando ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps). O quadro de ludopatia, como é conhecido o vício em jogos, foi reconhecido pelo psicólogo Leandro Missiato, que enfatiza a gravidade do problema: “A pessoa perde o controle e isso afeta seu trabalho, sua saúde e suas relações familiares”.

Os impactos foram devastadores. A mulher acumulou dívidas impagáveis e deixou de pagar contas essenciais, como medicamentos para seu pai, que quase perdeu a vida devido à falta de cuidados. “Estou começando do zero”, desabafou.

A situação não é isolada. Em São Francisco do Guaporé, um servidor público está sendo investigado por desviar cerca de R$ 13 milhões do Fundo Municipal de Saúde, parte dos quais pode ter sido usada em apostas. O caso levanta questões sobre a relação entre o vício em jogos e a corrupção.

Dados alarmantes revelam que, em 2025, os brasileiros depositaram R$ 220,6 bilhões em casas de apostas autorizadas, com uma perda de R$ 36,9 bilhões não retornados aos apostadores. A Organização Mundial da Saúde classifica a ludopatia como um transtorno mental, semelhante à dependência de substâncias.

Em Rondônia, o problema se reflete em processos judiciais que envolvem questões familiares. O vício em jogos pode agravar separações e conflitos, e a violência patrimonial, prevista na Lei Maria da Penha, frequentemente está interligada a esse comportamento.

No combate ao superendividamento, o Ministério Público de Rondônia oferece atendimento a todos os que se sentem sobrecarregados por dívidas. O núcleo do consumidor atua com mediações e educação financeira, buscando ajudar cidadãos de todas as classes sociais, que enfrentam dificuldades financeiras exacerbadas pela facilidade do crédito e pela tentação das apostas online.

A realidade é clara: o vício em jogos não afeta apenas os indivíduos, mas também suas famílias e a sociedade como um todo. É um problema que exige atenção e ação coletiva, visando a recuperação e a prevenção de novas vítimas.